Quem
desembarcasse no Brasil nos últimos dias e não soubesse nada de nossa história,
certamente começaria a assimilar a idéia de que não houve ditadura. Que ela não
matou, não seqüestrou, não torturou barbaramente homens, mulheres, crianças,
religiosos, religiosas. Que não empalou pessoas, que não fez desaparecer seres
humanos, que não cortou cabeças, que não queimou corpos. Que não cultivou o pau
de arara, o choque elétrico, o afogamento, a cadeira do dragão, que não
patrocinou monstros como Carlos Alberto Brilhante Ustra ou Sérgio Paranhos
Fleury.
A
democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta
criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida,
nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general
Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e
retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o
presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito
por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de
querer um país menos injusto.
A
democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta
criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida,
nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general
Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e
retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o
presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito
por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de
querer um país menos injusto.
Depois de alguns meses morando em Brasília, flanando sem
compromisso às margens plácidas do Paranoá, em pleno ócio da campanha
presidencial - quando, por absoluta falta do que fazer, passava horas
conversando com João Santana sobre vinhos, poesia provençal, hábitos sexuais do
Oriente ou música barroca, entre outros temas igualmente fascinantes -, eis que
venho voltando aos poucos à realidade, à dura vida do verão baiano e, claro, à
nossa querida Terra Magazine. Voltando aos poucos, aviso. Voltando aos dropes.
Abaixo reproduzo o discurso do Lula para Davos, lido pelo Amorim. Há partes
que emocionam. O discurso que o presidente Lula não leu em Davos (mas que foi lido pelo
chanceler Celso Amorim), conforme reprodução do Vermelho:
Abaixo reproduzo o discurso do Lula para Davos, lido pelo Amorim. Há partes
que emocionam. O discurso que o presidente Lula não leu em Davos (mas que foi lido pelo
chanceler Celso Amorim), conforme reprodução do Vermelho:
Todo esse esforço que tem sido visto de alguns meses para cá de alguns
veículos de mídia demonstrarem isenção foi posto no lixo com a
minimização ou até ocultação escandalosas que acabamos de ver contra a
pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial.
O baiano é pontual. Nosso problema, às vezes, são as circunstâncias,
nossos diversos arranjos celestiais, que favorecem negociações
surpreendentes com o tempo e com os outros. Resolvi, por exemplo,
escrever sobre o tema e logo, dadas as tais circunstâncias, adiei esta
coluna por uma semana, como se estivesse a defender alguma tese
estranha ou difícil.
Além do peso estratégico do Chile, o que há de emblemático na vitória de Piñera é o caráter da coligação triunfante, ironicamente chamada de Coalizão pela Mudança. Pela primeira vez retornam ao poder forças políticas que deram sustentação direta às ditaduras militares da América do Sul. Não é pouca coisa, definitivamente. Tampouco trata-se de fato isolado. Se analisarmos a cadeia de acontecimentos que marcou o ano passado, encontraremos pistas evidentes de uma contra-ofensiva da direita latino-americana. O artigo é de Breno Altman.
Além do peso estratégico do Chile, o que há de emblemático
na vitória de Piñera é o caráter da coligação triunfante, ironicamente chamada
de Coalizão pela Mudança. Pela primeira vez retornam ao poder forças políticas
que deram sustentação direta às ditaduras militares da América do Sul. Não é
pouca coisa, definitivamente. Tampouco trata-se de fato isolado. Se analisarmos
a cadeia de acontecimentos que marcou o ano passado, encontraremos pistas
evidentes de uma contra-ofensiva da direita latino-americana. O artigo é de
Breno Altman.
Colômbia com mais sete bases militares.
Honduras sob um golpe militar legitimado por uma eleição sem legalidade. A
Quarta Frota reativada em 1° de julho de 2008 -depois de mais de 50 anos
desativada- e cuja função é patrulhar o Atlântico Sul. E agora o processo
crescente de militarização da ajuda humanitária no Haiti.