| O Carnaval que não fui. Por Zuggui Almeida |
| Friday, 12 February 2021 05:56 |
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Sou do time que nunca brincou no carnaval, pois faço parte das fileiras da turma que leva o negócio a sério. Aqueles que fazem um planejamento caótico que inclue a escolha de um bar abastecido ao longo do circúito para o encontro com os amigos. Em casa, a montagem de um kit para levar na bolsa pochete composto de cartelas de Epocler, Engov, Dorflex e nos pés um par de tênis usado. Carnaval no Brasil é uma questão de interesse nacional, e saibam vocês, que nem durante a Segunda Guerra Mundial, a festa foi adiada. Medidas restritivas foram tomadas, como a proibição do uso das lanças-perfumes e a participação de estrangeiros, inclua-se aí, os alemães, italianos e os japas que haviam migrados para o Brasil anteriormente. Mas, esse Carnaval de agora considerado atípico apresenta um cenário por deveras surreal. Em substituição ao desfile das Escolas de Samba do Rio ou aos acordes alucinantes do trio elétrico em Salvador, a audiência total será do BBB 21 e o festival de mau-caratismo exibido por seus brothers participantes. A epopéia do povo negro louvada nos enredos das escolas de samba carioca ou pelos blocos afros baianos no Carnaval será substituída por afrodescendentes personalistas que participam de um reality-show que detém o poder de editar a história conforme a inclinação da sua audiência. ( o indivíduo consegue causar danos à economia de todo e qualquer jeito ) Mas, por aqui fico aguardando a oportunidade em ser vacinado e distante das cenas do BBB 21. Não vou fazer festa! " Uma ofegante epidemia * Zuggi Almeida é baiano, escritor e roteirista. |
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