| Economista Peter Temin mostra o subdesenvolvimento dos EUA. Por Lynn Parramore |
| Economia | |||
| Monday, 18 September 2017 05:39 | |||
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No novo livro The vanishing middle class: predudice and power in a dual economy, Peter Temin, professor emérito de Economia no MIT, retrata a nova realidade de forma assustadora e indelével: os EUA não são mais um único país. Ele está se partindo em dois, cada um com recursos, expectativas e destinos muito diferentes. Em um desses países vivem os membros do que Temin chama de “setor FTE” (que significa finanças, tecnologia e eletrônicos, as indústrias que suportam predominantemente seu crescimento). São vinte por cento dos estadunidenses que desfrutam de educação superior, têm bons empregos e vão para a cama sabendo que eles têm dinheiro não apenas para encarar os desafios de suas vidas, como também redes de contatos para assegurar seus sucessos. Têm pais que leem livros para eles, tutores para auxiliar nos exercícios escolares e uma plenitude de fontes de estímulos e lugares para frequentar. Os cidadãos desse país estão cercados de crescimento econômico por todos os lados e têm possibilidades empolgantes para o futuro. Eles fazem planos, influenciam políticas e se consideram sortudos por serem americanos. Os cidadãos do FTE raramente visitam o país onde oitenta por cento dos estadunidenses vivem: o setor de baixa renda. Aqui, as possibilidades estão encolhendo, às vezes dramaticamente. As pessoas estão cheias de dívidas e ansiosas a respeito de seu trabalho sem segurança – quando têm um. Elas se contentam com o transporte público sucateado e com carros que têm dificuldade para pagar. A vida familiar é incerta aqui: as pessoas frequentemente não têm relacionamentos duradouros, mesmo quando têm filhos. Se vão à faculdade, eles a financiam se endividando pesadamente. Elas não pensam a respeito do futuro, pois estão preocupadas em sobreviver no presente. O mundo em que elas vivem é bem diferente do que lhes foi ensinado a acreditar. Enquanto os membros do primeiro país protagonizam suas vidas, a essas pessoas é dito o que fazer.
Os dois setores, observa Temin, têm sistemas financeiros, moradia e oportunidades educacionais completamente diferentes. Situações muito diferentes ocorrem quando eles adoecem ou interagem com as leis. Eles se movimentam de maneira independente um do outro. Existe apenas um caminho para cidadãos do país de baixa renda entrarem no país abastado, e esse caminho está repleto de obstáculos. A maioria não tem saída. A economia mais rica do mundo, afirma Temin, está adquirindo uma estrutura política e econômica mais próxima de um país em desenvolvimento. Entramos em uma fase de regressão e uma das maneiras mais fáceis de observar isso está em nossa infraestrutura: nossas estradas e pontes se parecem mais com as da Tailândia e da Venezuela do que as da Holanda e do Japão. Mas a situação é muito mais profunda. É por isso que Temin usa um modelo econômico famoso criado para entender os países em desenvolvimento para descrever o quanto a desigualdade avançou nos Estados Unidos. O modelo é do economista W. Arthur Lewis, a única pessoa descendente de africanos a ganhar um prêmio Nobel em economia. Pela primeira vez, o modelo foi aplicado com precisão sistemática aos EUA. O resultado é profundamente perturbador. No modelo de dupla economia de Lewis, a maior parte do setor de baixa renda tem pouca influência nas políticas públicas. Confere. O setor abastado manterá baixa a renda do outro setor para que ele lhe forneça mão de obra barata para os negócios. Confere. O controle social é usado para evitar que o setor de baixa renda desafie as políticas que favorecem o setor abastado. Confere. Encarceramento em massa – confere. O objetivo principal dos integrantes ricos do setor abastado é diminuir impostos. Confere. Baixa mobilidade social e econômica. Confere. Nos países em desenvolvimento estudados por Lewis, as pessoas tentam passar de um setor a outro migrando das áreas rurais para as cidades à procura de emprego. Algumas vezes, funciona. Mas, frequentemente, não. Temin afirma que hoje, nos EUA, a saída é a educação, o que é difícil por duas razões: é preciso gastar dinheiro por um período muito longo, e o setor FTE está tornando esses gastos cada vez mais intensos ao encolher o orçamento das escolas públicas e implementar políticas que aumentam os débitos estudantis. Conseguir uma boa formação, observa Temin, não diz respeito apenas ao diploma superior. Ela precisa começar na primeira infância, e você precisa de pais que possam gastar tempo e recursos durante todo o percurso. Se você tem a intenção de ir à faculdade e sua família não dispõe de recursos para lhe dar durante o curso, boa sorte. Mesmo com um diploma, você provavelmente vai se dar conta de que empregos de alta remuneração vêm de redes de contatos e de parentes. O capital social, assim como o capital econômico, é crítico, mas devido ao longo histórico de racismo dos EUA e aos obstáculos que ele criou, pessoas negras com diploma universitário conseguem empregos apenas na educação, na assistência social e no governo em vez de empregos de maior remuneração como tecnologia ou finanças – algo que a maioria das pessoas brancas não se dá conta. Mulheres também são prejudicadas por um longo histórico de machismo e os encargos, cada vez mais pesados, do cuidado e da falta de acesso aos serviços de saúde. Como os EUA chegaram neste ponto? |
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