| Passe livre e "Saiaço": com erros e acertos, é a Política por Bob Fernandes |
| Dando o que Falar | |||
| Wednesday, 12 June 2013 23:11 | |||
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Há divisões entre eles. Muitos pedem que integrantes do PSOL e PSTU abaixem faixas e bandeiras; rejeitam a associação com partidos. E sabem que polícia e mídia forçarão essa simplificação. A maioria entende que perde apoio quando surgem atos, e em seguida, as manchetes sobre "Vandalismo" e "Baderna". É evidente que manifestações mundo afora, tão vivas nas redes sociais, despertam e estimulam manifestantes em São Paulo e pelo Brasil. Os manifestantes, adolescentes ou pouco mais do que isso, parecem gritar a mesma coisa: "Ouçam o que temos para dizer". Muitos podem nem saber exatamente o que querem dizer. Mas é óbvio que querem dizer alguma coisa. O que têm a dizer jovens de classe média e até alta, caso de São Paulo, é muito mais dos que os 20 centavos das passagens. É tudo muito fluido. É disperso e dispersivo, como é mundo virtual das redes. Como é um mundo que tem o consumo como o ápice da vida. Bem além de 20 centavos, o que os protestos proporcionam são outras sensações. Com acertos ou erros, a emoção de, enfim, estarem juntos nas ruas; não apenas em casa, na escola, nas redes ou na balada. A sensação de lutar por alguma coisa além do jeans e do smartphone. Muitos, a frustração por não ter nada disso. Essa geração cresceu ouvindo críticas por não se interessar por Política. Bem, com acertos e erros, errando ou acertando, o que eles estão fazendo é Política. Como fizeram Política os meninos que, de saia, assistiram aula no "Saiaço" do Colégio Bandeirantes. Quem marchou com a "Família e Deus pela Liberdade", às vésperas da ditadura, fazia Política. Quem foi à "Passeata dos Cem Mil", contra a ditadura, ou aos comícios pelas Diretas já, fazia Política. Meninos que vão à escola de saia, ou protestam nas ruas, fazem Política. Como é Política a decisão de escolher o vandalismo, ou as saias, como a questão central. Há três décadas muitos jovens se diziam na extrema-esquerda. E muitos eram chamados de vândalos. Ao longo da vida seguiram seus caminhos, alguns se perderam na própria esquerda. E outros são hoje os mais ferozes e servis porta-vozes da extrema-direita. Nada como o tempo para ensinar a todos nós.
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