| Daniela Mercury, Raphael Montes e Glicéria Tupinambá foram algumas das atrações do 3º dia da Bienal do Livro Bahia |
| Monday, 29 April 2024 00:57 | |||
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No bate papo, a 'Rainha do Axé' contou que a música 'Tudo de novo' foi escrita sobre o fim do casamento com o ex-marido, Zalther Póvoas, pai de seus dois primeiros filhos. "Eu sempre tive dificuldade de falar de amor, sou dura. Eu tô mais para Rita Lee, eu gosto é de criar confusão com a pessoa. Eu só consigo compor sobre amor quando eu termino a relação. Eu avisei a meus ex-maridos e a Malu [Verçosa]: 'Cuidado, porque quando eu começo a compor é porque o relacionamento tá terminando’", contou aos risos. A cantora disse que gosta de ler livros de diversos gêneros, não apenas ficção, e se dedica a leituras sobre felicidade, psicanálise, estética e outros. Daniela Mercury defendeu, ainda, que muitas histórias ainda podem ser contadas sobre a Bahia e que sente falta de mais registros sobre a produção artística no estado, como biografias e documentários. "A gente tem alguns documentários, mas eu acho tudo ainda muito pouco porque a geração do Axé a turma documenta pouco. Acho que vale contar a história de cada banda, a gente tem muito a contar. Faltam livros, songbooks de compositores dos blocos afros", disse. Também na Arena Jovem se apresentou o escritor Raphael Montes, que contou para um auditório lotado alguns segredos das suas obras de suspense. Montes revelou, inclusive, que tem planos de morar em Salvador. Perguntado sobre o que pensa de declarações sobre mulheres escreverem sobre mulheres, negros sobre negros e gays sobre gays, ele disse que o seu livro “Uma família feliz” foi uma contribuição ao debate. "Eu acredito no exercício da ficção literária. O escritor pode escrever sobre qualquer coisa e eu posso, sim, escrever sobre uma travesti norueguesa, e sobre a história de um psicopata que, com certeza, eu não sou. Escrever é a graça de vestir corpos e cabeças que não são meus. Limitar o que cada pessoa pode escrever para mim tem nome e é censura. A gente reproduz discursos até com boa intenção, mas não percebe os perigos. O conceito de 'lugar de fala' é sobre dar voz a quem viveu determinadas experiências, mas ele não impede que outras pessoas também falem sobre os assuntos", disse.
Glicéria Tupinambá, legítima representante dos povos originários, fala sobre a memória do mundo Já no Café Literário, que é outro espaço da Bienal, a artista e ativista indígena Glicéria Tupinambá contou sobre como fez para refazer um Manto Tupinambá, tradição que havia se perdido há séculos devido à ação de colonizadores. "O tempo, para nós, é algo infinito. O nosso tempo não é linear como o dos homens. Ele está traçado no meu cocar, no meu bracelete. Eu visto o tempo. Alguns não entendem a questão do pertencimento porque procuram a lógica na ciência do branco para se entender na sua própria cultura", observou. Participante da mesma mesa, a historiadora Tanira Fontoura falou sobre o orgulho de ser povo de terreiro, mesmo não sendo fácil, e das correlações entre as culturas negras e indígenas."Terreiros e aldeias são locais de preservação de tradições e é isso que nos mantém unidos. A gente tem o conceito da memória e a memória traz o conceito de pertencimento. As lutas são grandes, mas a responsabilidade com tudo isso é o que faz com que a gente siga e não desista porque o que é nosso, é nosso. Somos alicerce dessa terra", disse.
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| Last Updated on Monday, 29 April 2024 03:05 |
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