| ‘Ao relegar Conceição Evaristo, a ABL perdeu a chance de fazer história”, diz Marta |
| Saturday, 01 September 2018 05:25 | |||
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Para ela, a falta de escuta da Academia ao clamor popular pela eleição da escritora mineira é mais um traço das dinâmicas racistas da sociedade brasileira. Autora de seis livros publicados ao longo da carreira e vencedora do Jabuti, o mais tradicional prêmio da literatura brasileira, Conceição nasceu numa favela em Belo Hoizonte, foi empregada doméstica e se formou em Letras, tornando-se mestra e doutora, uma intelectual negra reconhecida nacional e internacionalmente. Marta destaca, ainda, que antes de Conceição, o escritor Lima Barreto, negro, já havia sido preterido. “É a primeira vez que a ABL tem uma disputa legitimada pelos movimentos negros e feministas. Conceição Evaristo representa nas letras, a escrevivência, um método linguístico e narrativo da sua autoria, que incorpora as histórias e vivências da maior parte da população, por isso ter sido tão popular o pleito pela sétima cadeira”, disse. Marta afirma, ainda, que a formação da ABL, majoritariamente branca e masculina, pode ser vista em quase todas as instituições brasileiras. “Não temos uma sociedade com instituições que nos representem como mulheres negras, homens negros, que formamos a maioria desse país. A ABL assim como todas as instituições, um dia vai ter que sanar essa dívida com o nosso povo”, pontuou.
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