| Virada Sustentável promove painel sobre uso medicinal da maconha |
| Friday, 18 October 2019 03:46 | |||
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“O Brasil é o último país da América do Sul a ter uma regulamentação da Canabbis medicinal. Existe ainda grande preconceito por parte dos próprios médicos e da sociedade. Quando conversamos sobre esse assunto, muita gente olha pra você 'mas como assim, você está prescrevendo maconha?'. E, infelizmente, nas escolas de medicina, a gente não aprende sobre isso”, pontuou o médico Pedro Julião, um dos poucos, em todo o Estado, a receitar medicamentos à base de óleo extraído de plantas ricas em CBD e THC. Pedro conta que já atendeu mais de 400 pacientes, dos quais apenas cerca de 100 “oficialmente”. “Algumas pessoas têm acesso ao óleo importado, mas sem registro. Tem a receita e o relatório médico, mas não está registrado como paciente, porque não existe isso, não tem uma legislação específica para esse tipo de tratamento”, explicou ele, que será o mediador dos debates no Painel. No Brasil, a única instituição autorizada a cultivar a planta, produzir o óleo e fornecer para pacientes é a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança – Abrace, em João Pessoa (PB); presença confirmada no Painel. A Associação atua no segmento desde setembro de 2017 e, atualmente, atende 2,7 mil pessoas. Além da comercialização do óleo de maconha para pacientes com prescrição médica, desenvolveu outros medicamentos, como a pomada a base de maconha, um spray de canabidiol e está em fase final de desenvolvimento de um supositório para pacientes em casos extremos de crises epilépticas. Para o seu fundador e diretor executivo, Cassiano Teixeira, apesar das dificuldades e trâmites legais, o cenário é positivo: “Vamos conseguir regulamentar; de um jeito ou de outro.”. O posicionamento da procuradora-geral da República Raquel Dodge, em setembro, aumentou as esperanças: Dodge solicitou que a Anvisa determinasse prazo de regualmenteação do plantio de maconha com finalidade medicinal – com base na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5708) ajuizada pelo Partido Popular Socialista - PPS para que seja afastado o entendimento que criminaliza plantio, cultivo, prescrição e aquisição da Cannabis para fins medicinais e de bem-estar terapêutico. Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal – STF, a procuradora indica que houve “omissão inconstitucional” do Poder Público na implementação das condições necessárias ao acesso adequado dos brasileiros à utilização medicinal da Cannabis. Entretanto, no último dia 15, a Anvisa decidiu adiar a decisão. O cenário é de fortes discussões internas no governo Bolsonaro: enquanto pessoas próximas do general Eduardo Villas Boas defendem a regulamentação, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, é opositor ferrenho da cannabis medicinal. “Se a Anvisa não permitir que se cultive, os pacientes vão continuar plantando ilegalmente, as empresas importando e as associações com ações judiciais”, arumentou Cassiano Teixeira. O plantio da planta para fins medicinais e científicos já tem respaldo na legislação e consta da lei 11.343, de 2006, conhecida como Lei de Drogas. A medida, porém, nunca foi regulamentada. Atualmente, as normas da Anvisa determinam que a aquisição de medicamentos derivados de maconha só é possível por procedimento de importação, por pessoa física, para uso próprio, mediante prescrição de profissional legalmente habilitado para tratamento de saúde, de produto industrializado tecnicamente elaborado e que possua, em sua formulação, o canabidiol em associação com outros canabinoides, dentre eles o THC. Os lados positivos e negativos do cenário atual, de trâmites legais a custos implicados, de tabus a casos concretos de pacientes medicados com o canabidiol serão debatidos durante o Painel Medicina Canábica, que também contará com a participação da Associação de Apoio ao Tratamento com Canabinoides – Aatamed. “A Virada Sustentável é um evento de grande importância e que acontece no Brasil inteiro. E esse mundo relacionado à medicina canábica também é sustentabilidade. Precisamos trazer isso ao centro dos debates, até porque pouco se tem falado sobre isso aqui na Bahia”, destacou Pedro Julião. A Virada Maior festival de cultura, mobilização e educação para a sustentabilidade da América Latina, a Virada Sustentável foi criada em 2011, em São Paulo. De lá pra cá, foram realizadas 25 edições, passando por sete estados e nove cidades, como Rio de Janeiro, Manaus e Porto Alegre, além de Salvador, totalizando um público de mais de 7,7 milhões de pessoas. A Virada também tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), fundamentado nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Em sua 3ª edição na capital baiana (a primeira foi em 2016), o Festival, via Lei de Incentivo à Cultura, tem o patrocínio da CMPC e Uber Eats, e o copatrocínio da Liberty Seguros. Conta também com o patrocínio da Braskem e do Governo do Estado, através do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, o apoio institucional da Prefeitura Municipal do Salvador, e a parceria do Salvador Meu Amor. A Virada Sustentável é uma correalização do Instituto Virada Sustentável e Rede AMO de Comunicações Socioculturais, e realização da DaCultura Projetos e Soluções, e da Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania e Pátria Amada Brasil e Governo Federal. Serviço: Virada Sustentável Salvador 2019 – de 08 a 10 de novembro Painel de Medicina Canábica Presenças confirmadas: Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança – Abrace, Associação de Apoio ao Tratamento com Canabinoides – Aatamed Data: 10 de novembro Horário: 10h às 12h Local: Wish Hotel da Bahia (Avenida Sete de Setembro, 1537 - Dois de Julho) Gratuito Mais informações: @viradasustentavel.salvador
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