| Defesa da cultura popular é tema de manifesto político construído na UFBA |
| Wednesday, 23 October 2019 16:50 | |||
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Segue manifesto na integra:
MANIFESTO DA BAHIA
Reunidos na cidade de Salvador-BA entre os dias 09 e 11 de outubro de 2019 na Universidade Federal da Bahia, um público estimado em 300 pessoas participantes do III SEMINÁRIO GRIÔ: CULTURAS POPULARES, IDENTIDADES E RESISTÊNCIA vindos de todas as regiões do Brasil e de países vizinhos, entre mestres e mestras das culturas populares, lideranças indígenas e quilombolas, artistas e educadores populares, lideranças comunitárias, brincantes, professores e professoras das redes pública e privada, estudantes, pesquisadores e amantes das culturas populares vêm a público se manifestar sobre os seguintes pontos:
1. Exigimos das autoridades de todas as esferas governamentais, o devido respeito e reconhecimento das CULTURAS POPULARES enquanto expressão da diversidade, da ancestralidade, da memória, da identidade, da oralidade, da ritualidade, dos modos de vida de luta e de existência do povo brasileiro, a partir da implementação de POLÍTICAS PÚBLICAS e iniciativas que garantam a sua valorização e continuidade através das novas gerações.
2. Exigimos que os legisladores nos âmbitos municipal, estadual e federal reconheçam os MESTRES E MESTRAS DAS CULTURAS POPULARES como detentores de saberes e fazeres tradicionais, ancestrais e comunitários a partir de LEIS, como a lei 11.645/08, o Estatuto da Igualdade Racial, as Políticas de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, o projeto de lei 1176/2011 e o projeto de lei 1786/2011 - Lei Griô Nacional sistematizada por mais de 750 mestres e mestras griôs do Brasil, em tramitação no Congresso Nacional, garantindo a sobrevivência, a valorização e a transmissão desse legado às gerações futuras.
3. Exigimos das autoridades competentes uma política educacional que garanta o investimento público na EDUCAÇÃO básica, afirmando seu caráter laico, universal, gratuito, de qualidade e socialmente referenciado, garantindo também a liberdade de pensamento que deve caracterizar uma educação comprometida com uma formação humana plena.
4. Exigimos das autoridades uma política educacional que garanta o financiamento da UNIVERSIDADE PÚBLICA e GRATUITA acessível a todos os segmentos da população brasileira em sua diversidade e seus reais interesses, desempenhando seu papel social caracterizado pelo pensamento crítico e autonomia na sua gestão
5. Exigimos das autoridades competentes a promoção de programas educacionais garantindo a presença das CULTURAS POPULARES nas ESCOLAS e UNIVERSIDADES brasileiras como temática transversal e também através da presença de mestres e mestras, artistas populares, brincantes e demais protagonistas nesses espaços, como forma de fortalecer os processos de construção de identidades, desenvolvimento da sensibilidade, do sentido de pertencimento e solidariedade dos estudantes, essencial na construção de um país livre, soberano e com justiça social. Salvador, Bahia outubro de 2019
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