| “Cultura não é espetáculo, cultura é permanência”, afirma o conselheiro Jorge Baptista Carrano |
| Thursday, 14 July 2016 13:22 |
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Carrano lamenta a dificuldade de atrair parte da sociedade para ambientes culturais, como exposições, saraus e teatro. “A cultura não é espetáculo, a cultura é permanência. O Brasil sofre um problema sério, que é o de não existir o hábito da cultura, o hábito do convívio com a cultura. O hábito de, por exemplo, sair de casa para ir ao teatro várias vezes ao mês. E existem hoje trabalhos que são acessíveis ao grande público, mas o grande público não sabe que é bom. Não se vai a um sarau, a uma exposição de artes plásticas ou a uma instalação, porque não existe o hábito da cultura”, afirmou. À frente de trabalhos como presidente do Colegiado Setorial de Literatura, Carrano reconhece os avanços das políticas culturais nos últimos anos e disse ser possível identificar como o empoderamento de determinados setores esteve atrelado à cultura. Porém, assinala a necessidade de ações que promovam a formação de novos públicos. “O público precisa entender que a cultura é necessária porque a cultura é o respirar, o comer, o diálogo do pai com seus filhos. A democracia só existe porque a cultura existiu antes”, disse. POLÍTICA - O conselheiro lembrou ainda que é por meio da cultura que os indivíduos se fortalecem, processo que tende a reverberar, inclusive, no âmbito político. “A Cultura rege tudo: a ética de um povo, a ética na política, conceitos como cidadania e convívio familiar”, assinalou, após lembrar que a Bahia hoje é referência em participação da sociedade civil nas políticas culturais por meio de instâncias como o Conselho Estadual de Cultura e os Colegiados Setoriais, que contam com integrantes eleitos da sociedade civil. O atual cenário, no entanto, ainda traz distorções que precisam ser corrigidas. Uma delas é a tendência de projetar estruturas políticas que unifiquem a cultura com outros setores, como acontece com secretarias e ministérios que englobam áreas como cultura e educação. “Se confunde muito cultura com educação. A educação é um apêndice da cultura. A cultura é o conceito de um povo, a imagem e o perfil de um povo. A educação é uma ferramenta que capacita esse povo. São duas coisas diferentes. E o que acontece hoje na política do país é exatamente pela falta da cultura”, assinalou. Ao longo da entrevista, o conselheiro reforçou também a importância da cultura negra. “Existe um erro imenso de relacionamento na sociedade baiana. Uma Bahia que é 80% negra tem que se submeter a 20% de uma cultura branca que se impõe à cultura negra. É o contrário: os brancos é que têm que se adaptar, e nada deve ser imposto. Tem que se adaptar a uma cultura negra que é raiz, forte”, completou o conselheiro. |
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