| Domingo no TCA apresenta “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” |
| Monday, 26 February 2018 18:12 |
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Escrito por Luiz Marfuz especialmente para comemorar os 40 anos de carreira do ator baiano Hilton Cobra, com direção de Fernanda Júlia, do NATA – Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas, a montagem mostra uma imaginária sessão de autópsia na cabeça de Lima Barreto, conduzida por médicos eugenistas, defensores da higienização racial no Brasil, na década de 1930. O propósito seria esclarecer “como um cérebro considerado inferior poderia ter produzido uma obra literária de porte se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças tidas como superiores?”. A partir desse embate, a peça expõe as várias facetas da personalidade e da genialidade de Lima Barreto, refletindo sobre loucura, racismo e eugenia, a obra não reconhecida e os enfrentamentos políticos e literários de sua época. “A possibilidade de levar o nosso espetáculo ao palco desse magistral palácio das artes na Bahia e a bem-vinda oportunidade de fazer uma apresentação popular de um espetáculo sobre a vida e obra de Lima Barreto nos coloca num estágio de prontidão, responsabilidade total”, afirma Hilton Cobra. “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” cumpriu uma temporada de sucesso em Salvador, no Teatro Vila Velha, onde colheu diversos elogios do público e crítica. Antes, o espetáculo foi encenado na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty/RJ, onde o escritor foi o homenageado, no Rio de Janeiro, Teresina e São Paulo. “Se em vida me submeti às mais sórdidas humilhações, em morte não cederei” – “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” marca um reencontro de Cobra com a obra do escritor – em 2008, o ator protagonizou a versão cênica de Luiz Marfuz para o clássico da literatura “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”. Desta vez, a peça é inspirada livremente em romances, contos e crônicas de Lima, especialmente “Diário íntimo” e “Cemitério dos vivos”, considerados autobiográficos. Trechos dos livros e da vida breve do escritor – viveu apenas 41 anos – se entrecruzam com uma situação imaginária e se espalham em quatro espaços dramatúrgicos: o colóquio com a plateia; as confissões íntimas; a voz do delírio; e o discurso dos eugenistas. Todos se enredam nos fios nervosos da cabeça encantada de Lima Barreto. A narrativa ganha força com trechos dos filmes “Homo Sapiens 1900” e “Arquitetura da Destruição”, ambos cedidos gentilmente pelo cineasta sueco Peter Cohen, que mostram fortes imagens da eugenia racial e da arte censurada pelo regime hitlerista. O cenário, de Marcio Meirelles, contribui para a força cênica juntamente com o figurino de Biza Vianna, a luz de Jorginho de Carvalho, a direção de movimento de Zebrinha e a música de Jarbas Bittencourt. Os atores Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Déda, Hebe Alves, Rui Manthur e Stephane Bourgade emprestam suas vozes para a leitura em off de textos de apoio à cena.
Domingo no TCA – O Domingo no TCA é uma iniciativa do Teatro Castro Alves, equipamento vinculado à Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), que se compromete em ampliar e diversificar o seu público frequentador, oferecendo-lhe acesso a espetáculos qualificados, das mais diversas linguagens artísticas. Ao longo de 10 anos e mais de 100 edições, o projeto engloba apresentações de música, teatro, dança, circo, cinema, de variados estilos e proposições estéticas, da Bahia, do Brasil e do mundo. SERVIÇO Onde: Sala Principal do Teatro Castro Alves Quando: 4 de março (domingo), 11h Quanto*: R$ 1,00 (inteira) e R$ 0,50 (meia) * Vendas somente no dia, a partir de 9h, com acesso imediato do público. |
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