| Jornalista baiano lança Ingresia com cortejo literário |
| Thursday, 07 June 2018 14:44 | |
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Ingresia tem noventa crônicas, escritas desde 2002, inicialmente em blogs e agora reunidas “por insistência dos amigos”. A obra conta com um posfácio póstumo do crítico de cinema André Setaro e é apresentada pelo também jornalista Claudio Leal, para quem Franciel é “um narrador empurrando as portas do mundo, (…) com sua verve sertaneja, exuberante nas provocações (…) num fluxo magnético de histórias”. Política, futebol, culturas e descrições do cotidiano, colhidas da atenta observação do estilo de viver baiano, sobretudo das pessoas simples da cidade, formam a matéria-prima do livro, cujas marcas registradas são o humor e a cortante ironia, características principais do baiano de Irecê, já muito conhecido nas redes sociais. A orelha é da pena do escritor Xico Sá. Nas pouco mais de duzentos e cinquenta páginas de Ingresia, quase nada escapa à reflexão do jornalista. Homenagens a (poucos) ícones culturais, como os artistas Elomar, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil e Lazzo Matumbi, se misturam a estórias divertidas de sua vida, como quando largou o carnaval de Salvador para se arrepender nos frevos das ladeiras de Olinda ou os porquês de nunca ter tido um aparelho celular. Ou, ainda, quando passou a acompanhar os festejos da Independência da Bahia, “uma réplica de Sucupira, com (…) uma multidão de Nezinhos do Jegue a protestar e bajular os políticos, (…) fanfarras e bêbados que fazem zoadas”. Aliás, os carnavais, antigas festas de largo e as manifestações populares de Salvador ocupam várias páginas do livro, que aponta críticas sociais certeiras e não poupa nenhum autodenominado “dono da cidade”. Com alta dose de sarcasmo e usando neologismos, frutos das suas andanças nos becos e vielas soteropolitanos, Franciel desnuda autoridades – como quando entrevistou um famoso ex-presidente da República e o deixou desnorteado com apenas uma pergunta -, e populares (como a “cidadã, useira e vezeira” em fingir deficiência física para conseguir lugar sentada no “buzu” lotado, o amigo acometido de forte disenteria na primeira visita à casa da namorada ou o cobrador que conta suas estórias românticas no ônibus para quem quiser ouvir). Em Ingresia, o ireceense discorre ainda sobre políticos, injustiças e sua visão de mundo, passeando pela literatura, cinema e música. Sempre, porém, com muito humor e alta dose de baianidade. O “repórter de perguntas sem afagos”, como é descrito na apresentação, é formado desde 1995 pela Faculdade de Comunicação da Ufba, e já trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia e no extinto Bahia Hoje. Organizador das crônicas do falecido comentarista esportivo Armando Oliveira – em conjunto com Olivia Soares, Claudio Leal e Wolney Sampaio – e colaborador de diversos jornais e revistas, o autor é servidor da Assembleia Legislativa da Bahia. Para Setaro, “a sua pena é da galhofa, da ironia, exercitando sempre no que diz e no que fala, o seu pessoal sentido de ironia, de ver as coisas da vida com peculiar humor”. Torcedor do Vitória, o jornalista acumula, ainda, publicações que vêm renovando a crônica esportiva do Estado, através do site “Vitoria Quae Sera Tamen”.
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