| Cenas inusitadas provocam curiosidade nas ruas de Salvador |
| Tuesday, 23 October 2018 04:57 | ||||
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Com todo o cuidado do mundo para não atrapalhar a leitura do rapaz que está confortavelmente sentado no carrinho, a artista baiana Jaqueline Vasconcellos passeia a céu aberto na primeira apresentação do festival, tentando evitar os carros que passam, a trepidação das ladeiras e a ajuda de outros homens. “Jaqueline vai colocar em discussão esses papéis que são tradicionais e que hoje passam por uma mudança, por um atrito positivo”, destaca o diretor e coordenador geral do Fiac Bahia, Felipe de Assis, 40 anos. O espetáculo de Jaqueline é só um dos 12 que fazem parte do festival que tem a “encruzilhada” como mote. A partir de uma programação que pela primeira vez será 50% gratuita, o evento propõe que artistas e público se encontrem nas esquinas das ruas para refletir e dialogar sobre a sociedade atual. “A gente escolheu a encruzilhada, um lugar de convergência, como metáfora pra gente pensar na abertura de novos caminhos”, explica o diretor. Você tem um minuto?
Já quem passar pelo Terreiro de Jesus na sexta (26), às 16h30, ou por Plataforma, no sábado, às 11h30, vai encontrar um grupo de pessoas usando sacolas de papelão na cabeça. Longe de ser uma ameaça, o grupo Anti Status Quo Companhia de Dança, de Brasília, apresenta o espetáculo Sacolas na Cabeça para questionar a sociedade de consumo e o sistema capitalista. A indagação, provoca o diretor do Fiac, é: “o quanto a nossa cabeça está completamente voltada para as compras e o quanto elas já estão compradas?”. Ou seja, em cada esquina há um convite para “unir forças com os artistas e poder pensar em uma proposta de mundo melhor”. “O artista tem que ir aonde o povo está. Nosso contexto atual está muito mais para a disputa do que para a escuta, então o que a gente propõe é estar na rua, no contato, tendo a emissão de uma ideia, mas com o execercício de escuta, de diálogo”, resume Assis. Função Cada apresentação propõe, do seu jeito, uma aproximação do público com o fazer artístico. “Nesse momento em que se critica tudo, muitas vezes se ataca uma classe como a artística sem conhecimento. Cabe ao artista estar mais próximo e discutir a importância desse trabalho com as pessoas”, defende Assis. “Está todo mundo se sentido sufocado, pressionado, inseguro... O festival é o momento de dar as mãos. A gente está falando do direito de ser, de viver”, finaliza.
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