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A Editora Corrupio segue com as comemorações dos seus 40 anos de existência e realiza, no próximo dia 19, mais uma edição do Pátio Corrupio, aberto na sede da editora, na Barra, com exposição de obras do artista visual baiano J. Cunha que, concluída a sua temporada, fará a passagem para a música no lugar das suas peças artísticas.
Dessa vez, a sede da Corrupio será ocupada pelo Quarteto de Flautas da Bahia e pelo projeto “Free Ols’s: música do mundo”, comandado pelos músicos André Oliveira e Jorge Dubman, que promovem um passeio musical com um set 100% vinil, tendo como foco principal sonoridades da diáspora africana.
O Quarteto de Flautas da Bahia – formado por Lucas Robato, João Liberato, Leandro Oliveira e Rafael Dias – resulta de uma parceria entre as universidades federais da Bahia e de Sergipe. Eles vão executar composições de Widmer, Guerra-Peixe, Kuhlau, Neukomm – austríaco que morou no Rio de Janeiro no século 19 – e Frei Jacinto do Sacramento, português do século 18. O repertório dá preferência a peças executadas com instrumentos da família da flauta transversal, incluindo piccolo, flauta em sol e flauta baixo. Destaque: será também a “estreia” da composição “Serenata”, de Neukomm, esquecida há cerca de 200 anos, localizada e reeditada por Lucas Robatto e Rafael Dias.
“A flauta está presente nas culturas e etnias que formaram a nossa sociedade, dos pífanos do Nordeste ao chorinho urbano, do carimbó à bossa nova, do funk até as orquestras sinfônicas, da música indígena ao samba. Nossa proposta é mostrar um pouco desta diversidade no Pátio Corrupio”, explica Lucas Robato.
O projeto “Free Ols’s” também promete, principalmente pela grande quantidade de jovens no primeiro Pátio. Para o músico, diretor musical e sonoplasta paulistano André Oliveira, participar do Pátio “vai ser uma chance ótima de encontrarmos aqueles que se ressentem por não encontrar um lugar para ouvir sonoridades diferentes. Quem for a esse segundo Pátio fará uma viagem, passando por países da África e América Latina negra. Será um encontro para ouvir, conhecer e deixar o corpo sentir e dançar ao som do vinil”.
O lançamento do projeto superou as expectativas da editora agora “quarentona”. “Cerca de 60% das pessoas que vieram era formado por pessoas que estão fora do círculo de relacionamento direto da editora. Havia, sobretudo, jovens que ajudaram a compor um ambiente leve e divertido, com muita gente interessada também pelos livros e peças étnicas que comercializamos”, contou Rina Angulo, diretora da Corrupio. A também diretora Arlete Soares disse, na ocasião do lançamento, que o Pátio seria “para divertir, além de disseminar arte e cultura, e também para juntar gente e promover network”. Deu certo!
Nessa segunda edição, o Pátio mais uma vez promove a venda de livros, com destaque para publicações sobre cultura negra, lançadas pela Corrupio e por outras editoras. Serão também comercializados objetos étnicos. O Restaurante Oliveiras, que funciona no Pelourinho, também volta a se juntar à editora comercializando bebidas e petiscos.
Pátio bem recebido O artista visual e pesquisador Danilo Barata estava na estreia e elogiou a Ocupação J. Cunha: “Trata-se de um dos artistas afro-brasileiros mais emblemáticos da atualidade, e a Corrupio é sem dúvida a editora que representa melhor o legado artístico de nossa cidade. Fiquei muito impressionado com a força da Ocupação e do Pátio e dos encontros geracionais que participaram desse evento”.
Outro que marcou presença foi o artista visual VJ Gabiru, que considerou o Pátio Corrupio “uma ideia de diálogo necessária e importante entre o mundo dos livros e o viver a cidade de Salvador. O evento abriu um diálogo entre leitores, artistas, viventes e parte da memória da cidade da Bahia”.
Antônia Pitta, presidente do Instituto Oyá – que fomenta programas educacionais de caráter multicultural na comunidade do bairro de Pirajá –, disse que o Pátio Corrupio chega em boa hora porque “Salvador precisa de espaços como esse, pois existe muita gente boa por aí sem lugar pra mostrar a sua arte. Achei a ideia uma sacada forte!”.
História da Corrupio As portas da Editora Corrupio foram abertas há 40 anos, inicialmente para lançar no Brasil os livros do etnologista, antropólogo, viajante e fotógrafo francês Pierre Verger (1902-1996). O ano era 1979, quando Arlete Soares se deu conta de que havia poucas obras sobre a cultura baiana em circulação, embora existissem obras em outras línguas, sem tradução para o português. Então, com o auxílio dos amigos Cida Nóbrega, Arnaldo Grebler, Enéas Guerra e Sara Silveira, além do próprio Verger, foi editado o livro “Retratos da Bahia”, com 256 fotografias feitas pelo francês.
Uma referência no mercado editorial, a Corrupio tem em seu catálogo diversos autores como Vivaldo da Costa Lima, Katia de Queiros Mattoso, Geraldo Lima, Zélia Gattai, Mestre Didi e Antônio Risério, entre outros igualmente importantes. Ano passado, a editora baiana foi homenageada na 16º edição da FLIP, a Feira Literária Internacional de Paraty, por ser pioneira nas publicações de cultura negra. No último mês de agosto, a Corrupio lançou o livro “Beabá da Bessarábia à Bahia – Histórias e Receitas”, de Sulamita Tabacof”, durante a programação da Feira Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que fez uma homenagem à editora pelas suas quatro décadas.
Serviço O que: Pátio Corrupio Onde: Rua Airosa Galvão, nº 106, sala 102 – Barra (sede da editora) Quando: 19 de outubro, a partir das 17 horas Acesso: Entrada franca
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