| Filarmônica Ambiental resgata importantes canções de manifestações culturais do Litoral Norte da Bahia |
| Wednesday, 10 March 2021 16:06 |
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O trabalho é resultado do projeto Sons Ambientais do Litoral Norte, aprovado pelo prêmio Jorge Portugal categoria Música e resultará na disponibilização gratuita das gravações nas plataformas digitais, além de dar atividade e renda aos músicos, privados de suas atividades durante o isolamento social. Das composições que serão contempladas pelo projeto Sons Ambientais do Litoral Norte fazem parte do repertório o Dobrado Esperança, representando a tradição da música lida em partitura desde a criação da Filarmônica Ambiental pelo maestro Fred Dantas em 1997 e mais quatro faixas originadas de três manifestações culturais : o Reisado do Guará (incluindo uma gravação do Reisado e outra do Samba do Guará), o Samba de Roda e o Zé de Vale. O Reisado do Guará é um ritual de visitação de casa em casa por um coral de participantes e dançarinos, acompanhados por músicos de viola e percussão, onde em dado momento – após os versos de natureza sagrada que falam do nascimento de Jesus – surge a figura de um lobo guará estilizado, em fantasia vestida por um participante. O Samba de Roda do litoral norte tem elementos diferenciadores do samba de roda de Cachoeira e do Samba-Chula de Santo Amaro, possuindo certas canções ligadas ao ambiente praiano e rural que merecem nosso registro. O projeto Sons Ambientais é concluído com o resgate do Zé de Vale, um drama cantado e declamado sobre conflitos sociais durante eventos natalinos, há muitos anos encenado em praça pública e hoje extinto na sua forma original. O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal. Sobre a gravação - Cada músico gravará as cinco músicas do repertório com seu instrumento isolado e também será filmado com câmera 4k. Cada instrumento será isolado em pistas de edição de áudio para depois ser mixado. Som e imagem serão unificados compondo uma única imagem com dezenas de quadrinhos, onde cada músico aparece tocando seu instrumento. Entre os músicos da Filarmônica Ambiental que estão ensaiando para as gravações estão Liriana Batista, Jefferson de Jesus e Rafaela Freitas (clarinetas), Weik Raylan Ferreira e Beatriz Celestiano (sax alto), Vinicius Amâncio (trompete), Pedro Mariano (trombone) e Moisés Costa (bombardino), Enzo Coelho e Jr. Ferreira (Percussão). Os videoclipes resultantes das gravações serão disponibilizados gratuitamente a partir de março de 2021, no canal do Youtube da Filarmônica Ambiental, para homenagear os 24 anos de fundação da filarmônica. Haverá também uma versão fonográfica no formato EP (Extending Player) contendo as músicas. Cada videoclipe terá uma abertura feita por um apresentador que contará um pouco da história de cada música, curiosidades, situações onde ela é usada pela população. A pesquisa do Reisado do Guará e do samba do guará fazem parte da história de vida do maestro Fred Dantas junto à cultura da zona rural de Barra do Pojuca, onde residiu, fundou a Escola Ambiental e a reserva ecológica onde existem três nascentes e uma cobertura vegetal de restinga preservada. Seus resultados foram levados à serie Bahia Singular e Plural, do Irdeb. Para o Zé de Vale e o Samba de roda, ou samba-chula, o principal entrevistado-memorialista é o babalorixá Manoel da Conceição Filho, conhecido como Bochechinha. Dono de uma memória única e prodigiosa, Bochechinha é um líder cultural envolvido há meio século numa verdadeira luta para que não se extingam as tradições afro-baianas na região de Barra do Pojuca, Camaçari. https://www.youtube.com/watch?v=CVpD-_ic-ts&authuser=0
AS LETRAS DAS CANÇÕES Reisado do Guará Deus te Salve Casa Santa Onde Deus fez a morada Onde Deus fez a morada Onde mora o cálix bento E a hóstia consagrada E a hóstia consagrada Coro: Deus te salve casa santa... Onde Deus fez a morada Onde Deus fez a morada São José Santa Maria Eles foram a Belém, Eles foram a Belém Eles foram cantar Reis Cantaremos nós também Cantaremos nós também Coro: Deus te salve casa santa... Onde Deus fez a morada Onde Deus fez a morada Quem aqueles cavaleiros Que evém da banda do mar, Que evem da banda do mar É os três reis do oriente Que a Jesus vem adorar Que a Jesus vem adorar Coro: Deus te salve casa santa... Onde Deus fez a morada Onde Deus fez a morada Dobra língua: Dona da casa me pague meu Reis Dona da casa me pague meu Reis Para o ano eu venho outra vez Minha ciana... Já mandei abrir a porta... Dona da casa me pague meu Reis Dona da casa me pague meu Reis Para o ano eu venho outra vez Minha ciana... Já mandei abrir a porta Já mandei abrir a porta... Dilê Abra porta que eu morro Dilê dilá Ô abra não que já morri Dilê dilá Cheguei da cidade ioiô Da Bahia E também seu Freds Danta Dilê dilá Me apareça e não se esconda Dilê dilá Cheguei da cidade ioiô Da Bahia Samba de Roda Mandei selar meu cavalo / Na hora de viajar Peguei a mão da morena/ morena largou-se a chorar Não chore não moreninha / que eu vou e torno a voltar Dá um aperto de mão / para de mim se alembrar Morena quando tu for / me leva Chorá, chorá, chorá Na prima dessa viola (bis) Mandei selar meu cavalo / tá na mão do selador Posso morrer no punhal / mas a morena não dou Morena quando tu for / me leva Chorá, chorá, chorá Na prima dessa viola (bis) Camin da Lapa eui / Caminn da lapa euâ... Eu vim lá do sertão / Passei no Cambucá Minha camisa molhou / Eu coloquei pra enxugar Camin da Lapa eui / Caminn da lapa euâ... Camin da Lapa eui / Caminn da lapa euâ... Meu bezerro zebu / todo sarapantado Eu não tenho medo dele / Montado em meu cavalo Meu cavalo é bom de sela / Meu cachorro é bom de gado Mandei dizer a meu amo que reacertei o seu gado Meu bezerro zebu, oi oí Meu bezerro zebu, oi oi
Samba do Guará O senhor me dê licença Licença me queira dar O senhor me dê licença Licença me queira dar Hoje é primeiro ano O guará quer entrar Hoje é primeiro ano O guará quer entrar O guará evém ioiô O guará evém vadiar O guará evém ioiô O guará evém vadiar Todo mundo me dizia que esse guará não saia Todo mundo me dizia que esse guará não saia O guará está chegando com prazer e alegria O guará está chegando com prazer e alegria O guará evém ioiô O guará evém vadiar O guará evém ioiô O guará evém vadiar (volta ao início) Ô raposa, o que é guará Ô raposa, o que é guará Você tá chupano cana Dentro do canaviá Você tá chupano cana dentro do canaviá
Zé de Vale Quem vem lá sou eu Quem vem lá sou eu No abrir da cancela bateu Zé de vale sou eu Quem vem lá sou eu Quem vem lá sou eu A cancela bateu Zé de vale sou eu O Zé de Vale é um drama musicado, representado em praça pública, também encontrado em algumas cidades do Recôncavo da Bahia. Na versão de Barra do Pojuca, a história se passa na época do Brasil Império, onde um jovem de família muito rica se perde no mundo do crime e resolve afrontar e lei da Coroa, a lei do império brasileiro. O presidente da província, o que seria hoje o governador do estado, começa a caçar o Zé de Vale, que se torna um bandido muito perigoso, mas o governo consegue levá-lo à prisão sob autoridade do presidente da província. Então a mãe vai procurar o presidente e oferecer várias coisas, vários cabedais como se dizia antigamente, em troca da soltura do Zé de Vale, mas nenhuma das ofertas é aceita. Ela então apela para a Bandeira Real, aí entram os personagens do rei, a rainha e as duas princesas, com a bandeira do Império. Zé de Vale e a mãe então imploram segurando na bandeira e ele é solto por meio do perdão real. Ô de casa ô de fora, vai lá ver quem é De casa ô de fora, vai lá ver quem é É passo na escada, parece de mulher É passo na escada parece de mulher Ó seu presidente Deus te dê bom dia Ó seu presidente Deus te dê bom dia Como tem passado vossa freguesia Como tem passado vossa freguesia Dona diga logo que veio fazer Dona diga logo que veio fazer Que o presidente não tem tempo a perder Que o presidente não tem tempo a perder Ó seu presidente que dinheiro vale Ó seu presidente que dinheiro vale Se vale mil reis solte o Zé de vale Se vale mil reis solte o Zé de vale Ô Sinha dona guarde o seu dinheiro O sinhá dona guarde o seu dinheiro Porque Zé de Vale é meu prisioneiro Porque Zé de Vale é meu prisioneiro Ó seu presidente que dinheiro vale Ó seu presidente que dinheiro vale Se vale três mil reis solte o Zé de vale Se vale três mil reis solte o Zé de vale Dona vá se embora que eu não solto não Dona vá se embora que eu não solto não O José de vale é um valentão Matou muita gente lá no meu sertão Da minha justiça não fez conta não Eu tenho um bom cavalo na estrebaria Tenho um bom cavalo na estrebaria Pra seu presidente passear um dia Pra seu presidente passear um dia Também tenho o meu não quero o seu não Também tenho o meu não quero o seu não O José de Vale é um valentão Matou muita gente lá no meu sertão Da minha justiça não fez conta não (samba) Ô ioiô, ô Iaiá O seu Zé de Vale ioiô veio sambar O seu Zé de Vale ioiô veio sambar Seu Manoel o que é que tem Seu Manoel o que é que tem Viva o Zé de vale viva Deus E mais ninguém Viva o Zé de vale viva Deus E mais ninguém |
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